Israel Institute of Biblical Studies

CANAL COSTUMES BÍBLICOS

sábado, 17 de março de 2018

O que o Escritor de Eclesiastes quer dizer quando chama a vida de vaidade?

Eclesiastes foi escrito como um sermão pós-moderno. Ele começa com uma declaração chocante: É tudo vaidade (Ec 1.2), ou "fútil". O autor estava frustado com a injustiça e a incapacidade humana de endireitar o que está torto (Ec 1.15). Ele também estava frustado com a natureza transitória da vida e com o fato de a sabedoria ser incapaz de oferecer qualquer senso de garantia do que o amanhã pode trazer.
Embora o sábio de Eclesiastes seja tradicionalmente identificado como o rei Salomão, não há referências explícitas ao seu nome no livro. Isso, entretanto, não exclui tal possibilidade. Alusões à sabedoria de Salomão e ao seu estilo são evidentes no capítulo 2, e o escritor apresenta-se como filho de Davi, rei em Jerusalém (Ec 1.1). Além disso, extensas referências à vida sob um governo monárquico implicam um público-alvo inserido no contexto do reino unificado (décimo século a.C.) na história de Israel.
Contudo, o autor identifica-se apenas como Qohelet, um termo hebraico que significa "aquele que reúne ou ajunta". A maioria das versões bíblicas traduz Qohelet como "professor" ou "pregador", com base no entendimento de que o sábio Qohelet dirige-se a um grupo de pessoas. O texto deixa bem claro que as observações e a sabedoria nele contidas devem ser atribuídas ao Qohelet.
A palavra-chave em Eclesiastes é a palavra hebraica traduzida como "vaidade" ("hevel" (vapor); Ec 1.2; 7.15). Essa palavra expressa o cerne do juízo do Pregador em relação à vida neste mundo.
Em sua raiz, a palavra hebraica "hevel" significa "fôlego" ou "vapor". Ela é usada 78 vezes no Antigo Testamento, mas apenas três vezes com o sentido claramente físico (veja Sl 63.9; Pv 21.6; Is 57.13). Nas outras 75 ocorrências, a palavra é usada metaforicamente, para descrever o que é incompreensível, fútil, vão, falso ou irrelevante. O termo é geralmente usado para descrever a insubstancialidade, a irrealidade e a inutilidade dos falsos deuses (Dt 32.21; 2Rs 17.15; Is 30.7). Nesse sentido, "hevel" é o oposto de "glória", a presença substancial, influente e duradoura de Deus (Êx 24.15-17). Às vezes, ela representa o estilo de vida passageiro e momentâneo, como um vapor (Jó 7.16; Sl 144.4). Em outros casos, refere-se à falta de sentido e à frustração da vida (Sl 78.33; 94.11; Is 49.4).
Há muito, crê-se que a palavra "hevel" de Eclesiastes tenha o sentido de "vaidade", não no sentido de "valorização exagerada dos próprios atributos", mas no sentido de viver de modo fútil e sem propósito ou sentido.
Portanto, é com o fardo do excesso que o ser humano não consegue lidar. Tudo o que a vida oferece perde qualquer significado e propósito se Deus não estivar presente. 
O Qohelet (pregador), meramente com a aplicação da sabedoria, não encontra solução para o dilema da condição humana. Por isso, Deus pôs no coração do homem o anseio pela eternidade (Ec 3.11 NVI); assim, nós nunca ficaremos satisfeitos com coisas menores do que aquelas que são eternas. Nesse sentido, a sabedoria em si foi insuficiente para resolver os problemas da maldição observados pelo Qohelet; somente a revelação de Deus em Cristo seria capaz de proporcionar a reconciliação da qual o mundo necessitava tão desesperadamente.
Apesar de a solução para o dilema do hevel ter de aguardar a revelação futura em Cristo, o livro de Eclesiastes serve como literatura sapiencial ao oferecer para o homem um paradigma de como aproveitar ao máximo a vida durante sua permanência na terra. Primeiro, sabendo-se que a vida é passageira, a morte é inevitável e as circunstâncias do futuro estão fora do controle do homem, o sábio deve desfrutar da vida como um dom de Deus. Segundo, à luz do fato de que os caminhos enigmáticos de Deus na terra, certamente, serão seguidos por um justo juízo futuro, o sábio deve temer o Senhor e guardar Seus Mandamentos (Ec 12.13).
Pergunta para meditação:
Há algum propósito real na vida sem Deus?

Estudando Eclesiastes 2.1-11

Salomão conduziu sua busca pelo sentido da vida como se faz em um experimento. Primeiro, ele tentou perseguir o prazer. Em seguida, assumiu grandes projetos, comprou escravos, gado e ovelhas, acumulou riquezas, adquiriu cantores, acrescentou concubinas ao seu harém e tornou-se a pessoas mais importante de Jerusalém. Mas nada disso deu-lhe satisfação. "E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol".
Alguns dos prazeres que Salomão buscou eram errados, e outros eram dignos. Mas mesmo as buscas dignas eram vazias quando ele perseguia-as como um fim em si mesmos.
Devemos olhar além de nossas atividades e compreender nossas verdadeiras motivações. Seu objetivo de vida é buscar um sentido ou buscar Deus, que confere o sentido?
Salomão resumiu suas muitas tentativas de encontrar o sentido da vida como "vaidade", como perseguir o vento. Sentimos o vento quando ele passa, mas não conseguimos segurá-lo. Em todas as nossas conquistas, até nas maiores, nossos sentimentos bons são passageiros. Segurança e autovalorização são encontradas no amor de Deus, e não nessas conquistas. Pense em onde você coloca seu tempo, energia e dinheiro. Um dia, você irá olhar para trás e perceber que também estava apenas [agindo por vaidade], "perseguindo o vento"?
Com base em Eclesiastes 5.10-20, nós queremos mais do que temos. Salomão descobriu que isso é vaidade. Ele observou que aqueles que passam a vida obsessivamente buscando dinheiro nunca encontrarão a felicidade que ele promete. A riqueza atrai aproveitadores e ladrões, causa falta de sono e medo e termina em perda, pois deve ser deixada para trás (Mc 10.23-25; Lc 12.16-21).
Não importa o quanto você ganha, se você tentar criar felicidade acumulando riquezas, nunca terá o suficiente. O dinheiro em si não é errado, mas o amor a ele leva a toda sorte de pecado (1Tm 6.10).
Deus quer que vejamos o que temos com a perspectiva certa - nossas posses são um dom de Deus. Elas não são nossa fonte de alegria, mas um motivo para adorar o Senhor. Todas as coisas boas vêm dele (Tg 1.17). Os dons de Deus devem atrair nossa atenção de volta para Ele.
Não importa qual é a sua situação financeira; não dependa do dinheiro para ser feliz. Ficar satisfeito com o que temos é possível quando percebemos que em Deus já temos tudo de que precisamos para começar. Amém!

Até a próxima!
Fica na paz!


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